Cerrado: Terra que nutre o Brasil, hoje ameaçada

Cerrado, local do povo, onde quem mora é dependente da região, região na qual se concretizou a quarenta e cinco milhões de anos, o que o tona a mais antiga das formações ambientais da história do planeta terra, um bioma especializado seja na sua fauna ou na sua flora tendo nele vários organismos que lidaram com diferentes características climáticas no passado, sendo hoje um hotspot o que deixa evidente o fato de ter sido alterado drasticamente a sua estrutura e sua cobertura vegetal, se tornando um grande problema já que o Cerrado nutre o Brasil de varias formas, sendo um dos mais importantes biomas para o nosso país.

Árvore com galhos secos no cerrado
que nutre o brasil
Cerrado

Aquífero brasileiro

Conhecido como o “berço das águas” ou a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil, o bioma Pantanal é totalmente dependente da água do Cerrado.

Vista de cima da Chapada dos Veadeiros nordeste do cerrado
Vista de cima da Chapada dos Veadeiros

Energia ou meio ambiente?

Podemos falar que hoje o cerrado já chegou em seu clímax evolutivo, ou seja, uma vez degradado ele não ira se recuperar, vive hoje em um processo de extinção irreversível. Sem a proteção, nem a consciência da importância dessa área que é berço das águas, é comprometido as áreas nacionais, pois o Cerrado, ao todo, é responsável pôr em média 75% da vazão dos principais rios do país, a Bacia do Rio São Francisco por exemplo tem 97% das suas águas provenientes do Cerrado, passando por Minas Gerais e por todo Nordeste, se tornando uma integração nacional.

O Brasil tem grande parte da energia consumida sendo gerada com as águas do Cerrado. A principal bacia da APA do Pouso Alto é a do Rio Tocantinzinho, foi pedido um estudo integrado da bacia hidrográfica desse rio para implementação de vinte e duas PCH (Pequena central hidrelétrica), uma PHC traz muitos prejuízos, um deles é mudar um rio que é de corredeira para um rio parado, uma PCH no Rio Tocantinzinho ameaça o pato mergulhão que é a espécie mais ameaçada da américa.

Soluções sustentáveis

As principais mentiras contadas sobre hidrelétricas são que a mesma é um modelo de geração de energia limpo e que é renovável, mas ao implementar uma hidrelétrica você tem vários impactos na região, ambientais como o exemplo acima, sociais como remoção de moradores locais e impactos econômicos. A energia que é produzida nessa PHC é com intenção de abastecer a mineração do local, polos industriais e grandes cidades.

O Brasil tem sua base elétrica formada na hidroeletricidade, com a escassez hídrica que é uma realidade em todo país, os especialistas propõe o advento da energia solar como tecnologia alternativa a energia hidrelétrica. A hidrelétrica é mais barata em custo-benefício pelo número de energia que irá gerar, porém a degradação natural é maior. A Chapada dos Veadeiros está em segundo lugar em potencial de incidência solar no país, é possível rejeitar esse empreendimento dando matriz para outro menos degradante.

O Cerrado ainda respira

Mesmo sofrendo com desmatamento e queimadas, o Cerrado ainda vê esperança graças a alguns lugares e projetos específicos que fazem a proteção desse bioma, como por exemplo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a APA de Pouso Alto.

Cachoeira com pedras e água ao fundo localizada na Chapada dos Veadeiros cerrado
Chapada dos Veadeiros

Criado em 1961, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está localizado no nordeste do Estado de Goiás. Abriga espécies e formações vegetais únicas, centenas de nascentes e cursos d’água, rochas com mais de um bilhão de anos, além de paisagens de rara beleza, com feições que se alteram ao longo do ano. O Parque também preserva áreas de antigos garimpos, como parte da história local. Foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, em 2001.

Falando um pouco mais sobre o parque, ele foi criado no governo de Juscelino Kubitschek, tinha 700.000 hectares e recebeu uma serie de mutilação do governo militar, hoje ele tem menos de 10% restante, o que é muito pouco para a biodiversidade existente no local. De todo o cerrado apenas 0,5% de sua área é protegida como a área do parque nacional. No Cerrado 90 milhões de hectares foram convertidos em áreas para pastagem e agricultura, essas áreas trazem impactos drásticos, tornando o solo oligotrófico. O país com maior potencial para exploração de turismo natureza no mundo é o Brasil, com 60% do seu território sendo floresta, o ideal seria que a maior fonte de renda do Brasil fosse florestar não destruir.

Mapa gráfico mostrando a localização da APA de Pouso Alto localizada no Cerrado
Mapa mostrando a localização e os limites da APA de Pouso Alto

A APA de Pouso Alto localiza-se na microrregião da Chapada dos Veadeiros, região nordeste do Estado de Goiás, ocupando aproximadamente 2,36% da área estadual, está destinada a fomentar o desenvolvimento sustentável e a preservar a flora, a fauna, os mananciais, a geologia e o paisagismo da região de Pouso Alto. Está inserida numa área denominada como hotspot. Este conceito é definido como uma área prioritária para conservação, de rica biodiversidade e extremamente ameaçada devido à grande pressão antrópica que sofre em função do extrativismo e da expansão agropecuária no nordeste goiano.

Mudando a realidade do Cerrado

Chapada dos Veadeiros localizada no Nordeste de Goiás
Chapada dos Veadeiros

A conservação do Cerrado depende de como usamos a sua biodiversidade. Tanta riqueza pode e deve ser usada, mas é preciso que ela também sirva às novas gerações que vem por aí. No Cerrado, existem povos e comunidades tradicionais que há milhares de anos utilizam seus recursos, como o pequi, o babaçu e o baru, entre muitas outras árvores frutíferas, para produção de polpa, óleo, cosméticos e artesanatos para geração de renda. É o caso de indígenas, extrativistas, quilombolas, entre outros. Não precisa destruir o Cerrado para servir-se de todo o seu potencial. De pé, o Cerrado vale mais.

Uma das mudanças a serem feitas é dar voz a Fundação MAIS Cerrado que é uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de formular um novo plano de manejo sustentável, não predatório, que valorize as comunidades locais e que, principalmente, não coloque em risco a questão ambiental, hídrica e climática do cerrado.

Proteger as áreas de Cerrado que ainda existem é garantia de água, alimentos, medicamentos e tantos outros benefícios. Existe outro modelo de desenvolvimento para o país, e esse modelo é baseado na preservação.

Quer saber mais? Aqui tem um documentário para você assistir

D’Elia, A. (2 de Junho de 2018). Documentário Sertão Velho Cerrado. Fonte: Publicado pelo canal Documentando: https://www.youtube.com/watch?v=5BZoEyBvXpc

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