Abelhas nativas e a atividade de Meliponicultura

Atualmente, muito se debate sobre as abelhas e seu papel no meio ambiente. Afinal, esses pequenos insetos apresentam uma elevada importância, tanto no aspecto econômico como no âmbito ecológico, pois, ao visitar diferentes flores buscando seus recursos alimentares, as abelhas executam a importante missão da polinização.

A atividade da polinização é fundamental para diversos cultivos, o que repercute diretamente na produção de alimentos. Sendo assim, conseguimos notar a importância ecológica, econômica e social das abelhas.

Apicultura e Meliponicultura

O cultivo de abelhas pode ser subdividido em duas categorias, sendo elas, a Apicultura, tendo como foco a Apis mellifera que não é uma espécie nativa do nosso território, mas que tem sua prática amplamente difundida em todo o Brasil, e do outro lado temos a Meliponicultura, que refere-se a produção de mel a partir do uso de abelhas nativas (sem ferrão), as chamadas Melíponas, ou simplesmente abelhas indígenas, pertencentes à Tribo Meliponini.

Na verdade, as melíponas apresentam ferrão, porém, o mesmo é atrofiado, tornando-as impossibilitadas de ferroar, sendo esse fator um dos benefícios da meliponicultura.

O cultivo de abelhas indígenas no Brasil, é o somatório dos saberes tradicionais acerca dos recursos naturais, associado a prática europeia de domesticação de animais. Desse modo, progressivamente, o cultivo de abelhas nativas tornou-se conhecido e praticado majoritariamente nas áreas Norte e Nordeste do país.

Existem diversas espécies viáveis para meliponicultura, a Melipona asilvai (Fig. 1), Melipona fasciculata (Fig. 2) e Tetragonisca angustula (Fig. 3) são algumas das espécies mais viáveis para a região Nordeste.

Figura 1. Representante da espécie Melipona asilvai

Figura 1.  Abelha Representante da espécie Melipona asilvai
Fonte: Embrapa

Figura 2. Abelha da espécie Melipona fasciculata

Figura 2. Abelha da espécie Melipona fasciculata

Fonte: Associação Brasileira de Estudo das AbelhasCristiano Menezes

Figura 3. Representantes da espécie Tetragonisca angustula

Figura 3. Abelhas Representantes da espécie Tetragonisca angustula

Fonte: Embrapa

O que é necessário para iniciar a produção?

Para iniciar o cultivo de abelhas nativas, é importante se regulamentar de acordo com:

  • A Resolução CONAMA no 346, de 17 de agosto de 2004;
  • A Instrução Normativa IBAMA no 169, de 20 de fevereiro de 2008 e
  • A Instrução Normativa IBAMA no 07, de 30 de agosto de 2015

Além disso, é importante que o produtor busque algumas informações, tais como, conhecer a biologia do grupo que deseja utilizar, estabelecer relações com outros produtores, definir o objetivo da produção e conhecer as espécies de plantas que podem ser polinizadas pelas abelhas que ele implementar em sua produção.

Como ocorre a produção?

Em ambiente natural, as abelhas são encontradas em ninhos desabrigados de outros insetos ou em troncos de árvores. Para a atividade de Meliponicultura, a produção ocorre em caixas, que ficam abrigadas do sol e chuva, no interior das caixas encontram-se os ninhos e o mel e outros produtos que podem ser aproveitados, como o própolis e o cerume.

Quais os benefícios da Meliponicultura?

  • Maior facilidade de manejo, devido a ausência de ferrão;
  • Baixo custo produtivo;
  • Não é necessário desmatar para realizar a produção;
  • Contribuição das abelhas para a polinização;
  • Integração da produção do mel com o cultivo de árvores frutíferas;
  • Mel tem sido cada vez mais valorizado no mercado gastronômico.

Como são os Meliponários?

Os modelos de caixa para criação das abelhas, são subdivididos basicamente em dois tipos, as caixas verticais e as caixas horizontais (mais utilizadas). Não existe um padrão estabelecido para o acondicionamento das colmeias, o importante é que elas estejam abrigadas do sol e chuva, existindo assim, dois tipos básicos de meliponários, os coletivos (Fig. 4) e os individuais (Fig. 5).

Figura 4. Modelo de Meliponário individual

Figura 4. meliponicultura Modelo de Meliponário individual

Fonte: PODAM

Figura 5. Modelo de Meliponário coletivo

Figura 5. meliponicultura Modelo de Meliponário coletivo

Fonte: Prefeitura de Vitória

REFERÊNCIAS

Associação Brasileira de Estudo das Abelhas. Disponível em: <https://abelha.org.br/>. Acesso em: 21/02/2021.

EMBRAPA. Disponível em: <https://www.embrapa.br/documents/1355163/39571288/2018_Pr%C3%A1tica+1_Informa%C3%A7%C3%B5es+Ninhos_final.pdf.pdf/77b50086-30a0-3e8f-36d0-6436fd564229>. Acesso em: 21/02/2021.

Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – EPAGRI. Disponível em: <https://www.epagri.sc.gov.br/index.php/2020/09/22/abelhas-em-ferrao-um-mundo-fascinante-dentro-de-pequenas-caixas/>. Acesso em: 21/02/2021.

Manual Tecnológico: Aproveitamento Integral dos Produtos das Abelhas sem Ferrão. 2º Ed. Disponível em: <https://ispn.org.br/produtos-das-abelhas-sem-ferrao-manual-de-aproveitamento-integral-2a-edicao/>. Acesso em: 21/02/2021.

Prefeitura de Vitória. Disponível em: <https://m.vitoria.es.gov.br/noticia/semmam-lanca-meliponario-experimental-no-parque-natural-do-mulemba-23324>. Acesso em: 21/02/2021.

Projeto Olhos D’água da Amazônia. Disponível em: < http://podam.com.br/projetos/acao/codigo/9/pagina/1>. Acesso em: 21/02/2021.

SEBRAE. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/potencialidades-da-meliponicultura-criacao-de-abelhas-nativas,36267383f9cbe410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 21/02/2021.

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