Incêndio Florestal: Entenda o que se passa no Pantanal

Incêndio Florestal x Queimada

Segundo o Corpo de Bombeiro Militar, o Incêndio Florestal é caracterizado como alastramento do fogo não controlado, em vegetação de área rural tanto antropizada quanto nativa. Dessa forma, este pode causar sérios prejuízos financeiros e até mesmo colocar a vida de pessoas e animais domésticos em risco.

Em contrapartida, a Queimada é uma das práticas agrícolas tradicionais da agricultura familiar na qual tem por objetivo limpar uma área para o plantio de culturas temporárias.

No entanto, se a queimada não for mais controlada e se alastrar para o restante da vegetação próxima ao local onde se iniciou, pode se transformar num incêndio. Sendo assim, para que isso não ocorra são necessárias algumas técnicas de segurança, dentre elas a construção de aceiros.

Incêndio Florestal no Pantanal

O Pantanal é o bioma de menor extensão territorial no Brasil, ocupando cerca de 150.535 km² (IBGE, 2004), representando 1,76% da área total do país. Este, está sobre influência direta de três biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Uma das principais características desse bioma é quantidade de espécies ameaçadas em extinção como o tuiuiú. 

No entanto, mesmo com uma beleza natural exuberante o bioma vem passando por grandes impactos ambientais, principalmente pela atividade agropecuária. Conforme os dados de 2009 do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS), restam apenas 83,07% de sua floresta nativa do Pantanal.

Em 2020, a situação ainda encontra-se de forma caótica. Conforme os dados registrados pelo Programa Queimadas do INPE, de janeiro a 12 de setembro o órgão contabilizou 125.031 focos de queimadas no país. O mês de agosto para o Pantanal foi o período de mais registros de focos de incêndio florestal com 5.935 focos, representando cerca de 11,7 % da sua área territorial [Figura 1].

estados com maiores registros de focos de incêndios no mês de agosto.
Figura 1. Distribuição dos focos de incêndio por biomas
brasileiros no mês de Agosto de 2020.

O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) afirma que ao menos 2,9 milhões de hectares do bioma já foram deteriorados. Isto equivale a cerca de 19% do bioma. Os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os mais afetados, ambos perdendo 1 milhão de hectares da floresta.

Entenda as possíveis causas do incêndio florestal

Seca severa

Dados da Embrapa Pantanal indicam que de outubro de 2019 para março de 2020 os volumes de chuvas na Bacia Pantaneira foi 40% menor que a média comparada a dos outros anos, o que normalmente esse período é considerado chuvoso.

O Pantanal sofre com períodos de secas intensas há muito tempo, mas segundo pesquisadores da Embrapa e do Instituto Centro de Vida, a aceleração do desmatamento na Amazônia tem agravado ainda mais essa situação. Segundo Vinicius Silgueiro, do Instituto Centro de Vida, o desmatamento tem encurtado os períodos chuvosos e tornado as secas mais severas nas regiões central e sul do Brasil.

A situação da seca no bioma deve ainda se agravar mais com a vinda do fenômeno climático  La ninã. Esta provoca o resfriamento das temperaturas médias do Oceano Pacífico. O fenômeno é o grande responsável pelos invernos rigorosos e severas secas ao redor do mundo.  

Os dados do INPE mostraram que a precipitação no mês de agosto desencadeou seca em toda a região central e parte do nordeste do país. Nesse mês, os estados brasileiros que tiveram maiores ocorrência de queimadas foram Pará (PA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Amazonas (AM)  e Roraima (RO). O total de queimadas nesses dez municípios foi de 16.633 focos, representando aproximadamente 33% de todos os focos registrados nos municípios do Brasil [Figura 2].

monitoramento de focos de incêndio florestal e condições de seca em toda a região central e parte do nordeste do país.
Figura 2. Monitoramento de Focos e Condições Meteorológicas 
do Programa Queimadas do INPE.

Expansão do desmatamento

A atual situação da seca no Pantanal se torna ainda mais conflitante quando se nota a expansão recorrente do desmatamento no bioma e em seu entorno. O Inpe afirma que até o ano passado foram desmatados 24.915 km² da região, correspondendo a 16,5% da área territorial do bioma.

Levantamento feito pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul indica que cerca de 40% dos desmatamentos na área do Pantanal do Estado tendem ser de ocorrência ilegal. Entre os meses de janeiro e maio do ano passado, os órgãos ambientais tiveram 64 alertas de focos de desmatamento, correspondendo a uma área de 2.393 hectares do bioma.  Pode se parecer um valor alto, mas neste ano, esse número quadruplicou chegando a atingir 11 mil hectares desmatados.

Além dessa situação, outro fator agravante é que o Pantanal é um dos principais alvos do desmatamento no Cerrado, que predomina na Bacia do Paraguai. Segundo o geógrafo Marcos Reis Rosa, os rios que ocorrem no Pantanal nascem no Cerrado e quando há o desmatamento das Áreas de Preservação Ambiental – APP’s a chuva tende a carregar sedimentos para dentro do rio e estes começam a assoreá-los. Como consequência disso, tem-se a redução do nível desses rios e a mudança do ciclo hidrológico da área.

Especialistas do SOS Pantanal acreditam que a principal causa da expansão do desmatamento no bioma está diretamente ligada à expansão do agronegócio na região. Um levantamento feito pela Instituto aponta que cerca de 15% da área territorial do bioma foi convertida em pastagem.

Combate ao incêndio

Para combater as queimadas no Pantanal, os governos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul criaram comitês para atuar no combate ao fogo no bioma. No entanto, especialistas acreditam que a ação iniciou de forma atrasada pois deveria ter começado desde o início do ano, já que o cenário de queimadas já mostrava acentuado.

Entretanto, apesar dos comitês criados o fogo continua se espalhando. Muito disso está relacionado a uma característica do bioma que é o fogo de turma ou “fogo subterrâneo” que vai queimando sem que as pessoas percebam.

Esse fogo é originado por conta dos sucessivos períodos de secas e cheias na região, nas quais originam camadas de matéria orgânica no solo e que ao longo dos anos tornam-se bastante inflamáveis. Então, quando ocorre a queimada o fogo atinge as camadas mais profundas e se espalha por debaixo do solo até encontrar alguma fissura e vegetação mais seca para poder emergir.

Os brigadistas da Prevfogo costumam dizer que para se combater esse tipo de incêndio necessita de muita técnica e conhecimento para saber como atacar o fogo, pois é extremamente perigoso.

Conclusão

Nota-se, portanto, que o Pantanal encontra-se em estado emergencial. Contudo, diante da atual situação política no país houveram cortes de verbas para fundos voltados ao combate de incêndios florestais.

De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) no ano de 2021 está previsto que os órgãos ambientais Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) possam sofrer um corte de R$ 126,1 milhões nas suas verbas.

Leia mais sobre:  http://bit.ly/35MCzno 

Bibliografia

IBGE. Mapa de Biomas e de Vegetação. 2004. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/21052004biomashtml.shtm.>. Acesso em: 14 set. 2020.

Correio Braziliense. Incêndios no Pantanal cresceram 210% neste ano, mostram dados do Inpe. Brasil. 14 set. 2020. Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/09/4875186-incendios-crescem-210–no-pantanal.html.>. Acesso em: 15 set. 2020.

Programa de Monitoramento e Risco de Queimadas e Incêndios Florestais. INFOQUEIMA: Boletim Mensal de Monitoramento. Brasil. Agosto, 2020. Disponível em: <http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal/outros-produtos/infoqueima/2020_08_infoqueima.pdf.>. Acesso em: 15 set. 2020.

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