Manejo Ecológico de Pragas 

O Manejo Ecológico de Pragas consiste em técnicas biológicas de controle aplicadas à sistemas de produção vegetal, geralmente sustentáveis, que tem por objetivo prevenir e conter a  colonização de pragas e doenças nas culturas.

Práticas agrícolas como desmatamentos, monocultivos e tratos culturais, causam perturbações e modificam os ecossistemas nativos originais. Estas práticas, reduzem a biodiversidade local, provocando a extinção de espécies, como decompositores e predadores, organismos essenciais para o equilíbrio dos biossistemas.

Dessa forma, a transformação de paisagens nativas em agroecossistemas cria um ambiente aberto, favorável ao estabelecimento de espécies pioneiras e colonizadoras. Com alta capacidade reprodutiva, estas espécies apresentam grande potencial de se tornarem pragas.  

Alguns processos, como a prática de preparo mecanizado do solo, ocasiona modificações na dinâmica da ciclagem de nutrientes, no nível de insolação, e em outras características do solo. Devido à essas modificações, há a alteração da  microbiota do ambiente, interferindo nas interações tróficas plantas/fitófagos/inimigos naturais, favorecendo espécies de fitófagos adaptados a essa condição de estresse à atingirem o status de praga.

Portanto, o surgimento de pragas, muitas vezes, está relacionado aos impactos antrópicos nos ambientes naturais. Nesse contexto, destaca-se a importância da aplicação das atividades realizadas pelos organismos dos ecossistemas como controle biológico. No entanto, a escolha dos organismos introduzidos nos agroecossistemas dependem das necessidades dos inimigos naturais e das culturas em questão.

Segundo Landis et al. (2000), não basta um agroecossistema ser somente diversificado. É necessário que tal diversidade seja funcional (diversidade de interações), com plantas adequadas para aquele local e que suporte a comunidade de insetos, tanto de pragas quanto de inimigos naturais.

Técnicas do Manejo Ecológico de Pragas

Diversificação Vegetal Na Área Cultivada 

Unidades de produção mais diversificados, promovem o aumento da agrobiodiversidade e do controle biológico natural, conferindo aos agroecossistemas maior estabilidade e resistência à perturbações. 

  • Consórcios de culturas

Associações de culturas nas quais duas ou mais espécies com diferentes ciclos e arquiteturas vegetativas crescem simultaneamente. As culturas são exploradas concomitantemente na mesma área e no mesmo período de tempo, sem que necessariamente tenham sido semeadas ao mesmo tempo. O arranjo das culturas no espaço pode ser feito na forma de cultivos em faixas, cultivos mistos (sem arranjo definido em fileiras), parcelas em mosaico, cultivos em linhas alternadas e culturas de cobertura do solo.

  • Policultura

Cultivos simultâneos de diferentes grupos taxonômicos. Apresentam maior número de espécies e de interações biológicas, favorecendo o controle biológico natural. Ademais,  a adoção de policultivos reduz a dependência do agricultor ao sucesso na produção de uma única espécie, aumentando sua segurança alimentar. Dentre as estratégias utilizadas nas plantações em policultivos, destaca-se o uso de cultivos armadilhas. Para isso, é necessário determinar primeiro qual a cultura principal e as pragas-chave associadas. 

Controle Biológico no Manejo Ecológico de Insetos

O controle biológico é um fenômeno natural em que a abundância das espécies é limitada por seus inimigos naturais, que podem ser predadores, parasitóides ou patógenos, considerando sempre que são organismos vivos (Smith, 1919 apud De Bach & Rosen, 1991).

  • Controle biológico conservativo

Visa o manejo do ambiente, favorecendo a preservação e o aumento das populações de inimigos naturais. Promove a manutenção de plantas espontâneas dentro e no entorno dos plantios e o aumento da diversidade e da variabilidade das espécies cultivadas, modificando o microclima e favorecendo a dispersão de espécies benéficas por meio do plantio de barreiras e corredores vegetacionais (Jonsson et al., 2008). 

  • Controle biológico aumentativo

Introdução de inimigos naturais para o controle de pragas específicas. Pode ser dividido em inoculativo e inundativo, de acordo com a finalidade. O inoculativo consiste na liberação de inimigos naturais no ambiente, de modo que estes se reproduzam e sejam capazes de controlar as populações da praga-alvo.  No inundativo, são realizadas criações massais dos inimigos naturais. Estes são liberados em grandes quantidades para que rapidamente sejam capazes de reduzir os danos e as densidades populacionais da praga-alvo sem que ocorra necessariamente efeito em médio ou longo prazo (Eilenber et al., 2001). 

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Referências

DEBACH, P.; ROSEN D. Biological control by natural enemies. 2nd ed. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1991. 386p.

EILENBERG, J.; HAJEK, A.; LOMER C. Suggestions for unifying the terminology in biological control. BioControl 46:387-400, 2001.

JONSSON, M.; WRATTEN, S.D.; LANDIS, D.A.; GURR, G.M. Recent advances in conservation biological control in arthropods by arthropods. Biol. Control 45:172-175, 2008.

LANDIS, D.A.; WRATTEN, S.D.; GURR, G.M. Habitat management to conserve natural enemies of arthropod pests in agriculture. Ann. Rev. Entomol. 45:175-201, 2000.

SUJII, Edison Ryoiti et al. Práticas culturais no manejo de pragas na agricultura orgânica. Controle alternativo de pragas e doenças na agricultura orgânica. EPAMIG, Viçosa, p. 143-168, 2010.

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