Saneamento básico e os desafios enfrentados na gestão dos recursos hídricos no Brasil

Saneamento Básico

Saneamento básico envolve atuação de múltiplos agentes, impactando na qualidade de vida, na saúde, educação, no trabalho e no ambiente de um país. Quando se trata do Brasil, o país encontra-se marcado por um déficit em relação ao saneamento básico e uma desigualdade na gestão hídrica.

Segundo o IBGE por falta de saneamento básico, um em cada dez domicílios no país joga esgoto na natureza, correspondendo, cerca de 9 milhões de lares em todo o território brasileiro.

Ainda, destaca-se as regiões norte e nordeste sendo as que apresentam o maior índice de imóveis que não possuem rede de esgoto, sendo estes percentuais, respectivamente, de 29,6% e 22,1%.

Isso, decorre pelo crescimento desordenado das cidades onde a maioria da população se instalou em habitações irregulares. Além disso, políticas públicas ineficientes e a grande desigualdade social do país faz com que se mantenha o saneamento inacessível para boa parte da população.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mais de 80% da população tem acesso a água tratada, porém somente 50% tem coleta de esgoto. Quando olha-se para a questão do tratamento desse esgoto, a situação é ainda pior, com 46% da população tendo o tratamento do esgoto gerado.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), previa que em 2033 haveria a universalização dos serviços de água e esgoto. Contudo, com a falta de políticas públicas e de investimento por parte do país, esse prazo foi esticado para 2060.

Um fato que colabora essa previsão é que entre 2009 e 2014 o país investiu cerca de R$9,4 bilhões com obras de saneamento, quando seriam necessários R$ 15,2 bilhões por ano, segundo os cálculos da CNI.

Desafios da gestão dos recursos hídricos no Brasil

Os desafios na gestão de recursos hídricos nas áreas urbanas brasileiras estão ligadas com a gestão setorial e não integrada com planos de bacia e sub-bacias. A falta dessa visão integrada dos gestores ampara-se somente em soluções estruturais que alteram o ambiente e inserem-se outros impactos.

O uso múltiplo e intensidade dos recursos hídricos no país estão relacionados com o desenvolvimento social, agrícola, industrial, com a densidade populacional e o grau de urbanização. Os principais usos no Brasil são: irrigação, animal, urbano, industrial e rural, totalizando um consumo de água de 986,4 m³/s (Figura 1).

Consumo total de água frente a gestão hídrica
Figura 1. Consumo total de água com os múltiplos usos no país.

Essa multiplicidade de usos ocasiona impactos nas águas superficiais e subterrâneas (lençóis freáticos). Dentre eles, os mais recorrentes no país são:

  • Desmatamento e erosão do solo;
  • Eutrofização de mananciais por conta de áreas agrícolas e despejos urbanos;
  • Acidificação;
  • Sedimentação de lagos, rios e represas;
  • Alterações na biodiversidade aquática;
  • Alagamentos frequentes nas cidades e entre outros.

Nesse contexto, os setores industriais que geram efluentes potencialmente poluentes são: indústria têxtil, papel e celulose, açúcar e álcool, cervejarias, detergentes, entre outras. Por isso, monitoramento, tratamento específico e acompanhamento desses efluentes são fundamentais para o controle de qualidade das água subterrâneas e superficiais.

A atividade de comprar efluentes tratados é chamada de “água de utilidades” alternativa considerada sustentável e economicamente viável. Com esse sistema, programas de reúso podem ser instalados em estações de tratamento de esgoto.

Outro fator que influencia na gestão desses recursos é a falta de capacidade gerencial em áreas urbanas, que municípios em sua maioria não possuem estrutura de planejamento e gerenciamento dos complexos processos dos recursos hídricos.

Como consequência disso, tem-se a falta de articulação entre os planos diretores dos municípios e o planejamento e gestão de recursos (Tundisi & Matsumura-Tundisi 2011).

Conclusão

A promoção de estratégias visando o saneamento básico e a gestão hídrica, projeções futuras e cenários alternativo depende da base de informações e o avanço do conhecimento.

Por isso, estudos sobre o valor econômico da água, sua importância no ciclo hidrossocial e dos ecossistemas aquáticos são importantes conceitos sobre o estado dos recursos hídricos e sua infraestrutura.

Ademais, a ausência do saneamento básico e a falta de tratamento de esgoto de origem doméstica, interfere significativamente nos ciclos naturais de rios, lagos e represas.

Dessa forma, para a conservação estratégica dos recursos hídricos é necessário levar em consideração algumas questões fundamentais disponibilidade x demanda e impactos provenientes das múltiplas atividades humanas.    

Referências bibliográficas:

Inct ETE’s Sustentáveis. Por que o Brasil é tão atrasado no saneamento básico? Minas Gerais:  UFMG, agosto. 2019. Disponível em: <https://etes-sustentaveis.org/por-que-brasil-atrasado-saneamento/.> Acesso em: 25 de agosto de 2020.

MOTA, Camila Veras. Por que quase metade do Brasil não tem acesso a rede de esgoto? São Paulo: BBC News, agosto. 2019. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49399768.> Acesso em: 25 de agosto de 2020.

Leia mais sobre: https://bit.ly/2YHPgLT 

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This Post Has 2 Comments

  1. Thayane monteiro

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  2. Buddy Baars

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